Entrevista: Felipe Colbert - Tomo Literário

 


Felipe Colbert nasceu no Rio de Janeiro, no entanto mora em São Paulo. Ele é o criador e editor da Insígnia Editorial, que publicou o livro Descarrego, de autoria da escritora Juliana Rabelo. Com muitos anos de autuação no mercado editorial, Felipe foi Editor do Grupo Novo Conceito, posicionando diversos livros na lista de mais vendidos. Como escritor, possui trabalhos publicados no Brasil e na Europa. Além de escrever e publicar livros, atua como agente literário, coach literário, ghost writer e parecerista crítico. Como professor e palestrante, orientou e treinou centenas de autores nacionais.

Em entrevista ao Tomo Literário Clube de Leitores, Felipe fala sobre sua trajetória, a edição de Descarrego e a atuação como agente. Conta ainda sobre novidades da Insígnia Editorial e novos projetos. A entrevista foi publicada em primeira mão para os membros do clube de leitores e agora é compartilhada com vocês.

Tomo Literário: Para iniciarmos, nos conte um pouco da sua trajetória no meio literário, afinal já são mais de 17 anos, certo?

Felipe Colbert: Sim, já estou chegando à "maioridade editorial". Iniciei minha carreira como autor. Ao longo do tempo, fiz vários treinamentos para compreender as técnicas internacionais de estruturação de livros. Publiquei 6 romances e 5 livros técnicos sobre mercado editorial. Fui editor do Grupo Editorial Novo Conceito até o ano de 2017. Em seguida, por conhecer muitos profissionais da área, tornei-me agente literário de vários autores, chegando a ter conversão de 75% desses autores publicados em casas editoriais. Também fiz vários treinamentos presenciais e virtuais, além de atuar como ghostwriter. Recentemente assumi o cargo de Publisher da Insígnia Editorial (@insigniaeditorial).

Tomo Literário: Você foi editor do livro Descarrego, da escritora Juliana Rabelo. Como foi que o livro chegou até você e como foi o processo de publicação, do primeiro contato com o texto até finalmente vê-lo pronto?

Felipe Colbert: A Juliana Rabelo, ótima autora, fez a mentoria de um livro comigo e análise crítica do Descarrego, onde conferi o potencial da obra. Ao ver a qualidade do seu trabalho, convidei-a a publicar pela Insígnia Editorial.

Tomo Literário: Alguma etapa do processo de publicação do livro Descarrego foi mais trabalhosa? Por que?

Felipe Colbert: Na verdade os processos foram simples, pois o livro já estava bem narrado e escrito, bastava apenas uma simples revisão. Escolhemos uma capa que "conversasse" com a obra e uma diagramação jovem, que atendesse o público-alvo. O livro ficou com uma quantidade de páginas justa e leitura fluida. A autora também colaborou no desenvolvimento do processo, acompanhando todas as etapas.

Tomo Literário: Você atua como agente literário de escritores. Pode nos contar como o mercado vê o papel do agente atualmente?

Felipe Colbert: Antigamente tínhamos pouquíssimos agentes literários no Brasil. Hoje contamos com mais profissionais, e as editoras têm preferido o contato direto com os agentes, que analisam as obras fazendo um "filtro" para apresentar bons trabalhos aos editores. Sempre indico os autores a procurarem agentes literários que já foram editores, pois a linha de pensamento entre ambos acaba sendo mais sinérgica. Assim, creio que exista uma credibilidade maior na apresentação dos projetos.

Tomo Literário: A criação da Insígnia Editorial era uma ideia de muito tempo ou foi surgindo com a sua trajetória no meio editorial? Como nasceu a editora e quais as expectativas de médio prazo?

Felipe Colbert: Surgiu em meio à pandemia. Como sou um profissional que conhece todos os processos de construção de um livro, acabou se tornando natural. A Insígnia Editorial já conta com 13 publicações de temas diversos (ficção e não-ficção) e recentemente o livro MAR CALMO NÃO FAZ BOM MARINHEIRO, do autor Max Fercondini, entrou na lista de mais vendidos. Em pouco mais de um ano, ter um livro na lista por uma editora criada recentemente, é uma vitória.

Tomo Literário: Descarrego propõe uma reflexão sobre o acesso à educação. Como você vê essa junção da literatura com o ambiente educacional? Precisamos ainda de políticas de acesso aos livros que facilite também a entrada das editoras no meio escolar?

Felipe Colbert: O livro conversa justamente com este tema, sem deixar de lado todas as conveniências de um bom romance ficcional. Ao longo do tempo, essas políticas de acesso aos livros por escolas, que surgem por meio de editais, têm sido menos frequentes. Precisamos fortalecer o incentivo à leitura no âmbito educacional, conversar mais com professores e docentes. Infelizmente dependemos muito dos órgãos governamentais. Isso afeta a produção do mercado editorial como um todo.

Tomo Literário: Tem alguma curiosidade dos bastidores de edição de Descarrego que possa nos contar? Algum momento de impacto, algo curioso ou engraçado?

Felipe Colbert: Tomamos sempre o cuidado de não haver surpresas durante a produção do livro. Todos os processos foram minuciosos e conferidos diversas vezes. Algumas sugestões em relação ao texto do livro foram dadas à autora e recebidas com naturalidade antes da publicação. É um dos projetos mais bem-vistos dentro da editora justamente por não ter tido qualquer surpresa no processo.



Tomo Literário: Está lendo algum livro atualmente? Que livros você indicaria aos nossos leitores?

Felipe Colbert: Meu tempo acaba sendo investido mais na leitura de manuscritos do que em livros publicados por editoras. O processo editorial demanda muita análise e dispensa muitos dias em cima de um único texto. Como também faço mentorias para autores, preciso me dedicar aos textos deles. Mas leio boas obras sempre que consigo. Recentemente li um livro curto sobre o tema "confiança", que acabei ganhando de presente.

Tomo Literário: algum novo projeto vindo por aí? Pode nos falar um pouco sobre ele?

Felipe Colbert: A editora está sempre produzindo projetos interessantes, com alta qualidade narrativa. Nossa próxima autora a ser publicada é a Lani Queiroz, que já figurou em listas de mais vendidos da Veja e Amazon. Ainda não posso comentar sobre a obra, mas será um pouco diferente dos outros romances que lançamos.

Tomo Literário: Quer deixar algum recado para os leitores do Clube de Leitores e do Blog Tomo Literário ou quer comentar algo que não tenhamos falado?

Felipe Colbert: Quero agradecer ao Clube de Leitores e ao Tomo Literário pela entrevista. É excelente termos canais como estes, os quais conversamos diretamente com os leitores. Sei que muitos têm curiosidade de como funciona o mercado editorial e o processo de criação de um livro. Mas, antes de tudo, sempre digo que é importante cuidar do texto da obra. Portanto, para quem deseja não apenas ser leitor, mas entrar no mundo da escrita, aconselho a procurar profissionais que podem auxiliar com uma mentoria ou processo semelhante.

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